Posterous theme by Cory Watilo

De quando os amigos partem

Quando falam de saudade, duas coisas passam pela minha cabeça: uma é a lembrança da cidade de São Paulo (motivo e assunto de sobra para um outro momento). A outra são as pessoas que tem algum significado pra mim que estão distantes por algum motivo. Geralmente são lembranças de pessoas que marcaram minha vida e que já não se encontram com frequência ao meu lado.


As perguntas que motivam-os a continuar com essa leitura é: Do que ele está falando e por quê?

O porquê disso é mais fácil de responder: sábado fui numa reunião de despedida de um certo amigo dos tempos de colégio. Diminuímos a convivência quando ele foi pra São Paulo fazer faculdade e eu fiquei aqui por Campinas. Confesso que por minha culpa, não mantivemos o mesmo contato que tinhamos enquanto estudavamos juntos. A desculpa para isso não importa muito agora, já que não posso mudar o que passou. Mas uma coisa é certa: nunca deixei de ter admiração e respeito por esse cara.

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É fácil perceber que já misturei as respostas das perguntas anteriores, mas whatever... Despedimo-nos dele, pois está indo para a França, ficar um bom tempo lá. Na volta pra casa, fiquei pensando na distância que começava a nos separar. Não eram mais 100 km na rota Campinas - São Paulo. Agora é algo que pra mim é imensurável. Pensei em algo que até agora jamais passara em minha mente: as pessoas queridas seguem suas vidas, e não sabemos o que vai acontecer em seguida, ou quando vamos nos encontrar de novo. E é assim que as coisas são. Novidade para mim, que sempre fui seguro sobre o meu futuro e o que acontece ao meu redor... Irônico, não?

Enfim, agora me resta apenas desejá-lo boa sorte nessa empreitada... E espero que possamos nos encontrar em breve, e rir do que passou em nossas vidas.

PS: Pensando agora, isso era o que eu queria ter escrito de verdade no presente que demos a ele. Mas acho que jamais pensaria nisso na hora...

Constatação

"And when I'm returning from so far away
She gives me some sweet lovin' brighten up my day
Yes it makes me righteous, it makes me feel whole
And it makes me mellow down to my soul"
Crazy Love - Michael Bublé

A saudade tem um gosto amargo...

O cego e o velho

Outro dia, eu vi um cego. Estava ele caminhando, com seus passos ritmados, contados pelo tum-tum-tum da bengala que batia para seguir em frente. Aparentemente, estava perdido, procurando a saída. Do outro lado, havia um velho, de poucos cabelos, com todo o peso da idade encurvando suas costas. Seu caminhar lento ajudava ainda mais a ressaltar a sua idade.

Era ínicio de noite, o clima abafado só fazia-me ficar com mais sono. De qualquer modo, mesmo distante esperando para tomar o caminho de casa, vi o velho dirigir-se ao cego. Após longos momentos, imaginando o que iria acontecer, consegui ver o encontro de ambos. Cena inaudível, onde provavelmente foram ditas palavras gentis de ambas a partes, já que sairam caminhando lado-a-lado, velho e cego. O que guiava, era apoiado pelo novo amigo. E o que apoiava era orientado em direção a saída que tanto almejava.

Confesso que essa cena se perdeu em minha memória, e que só me lembrei disso a pouco. Porém, é engraçado pensar, que no fundo, somos todos meio pareceidos com ambos: velho e cego. Muitas vezes, precisamos de alguém em quem nos apoiar, geralmente em momentos difíceis. Em outros casos, é necessário alguém para nos guidar, nos ensinar um novo caminho, ou algo que não esteja visível aos nosso olhos.

E mesmo assim, somos teimosos e egoístas. Insistimos em nosso individualismo, quando nossa necessidade é estarmos mais próximos uns dos outros. É no mínimo triste... Mas pelo menos, agora eu sei que não sou melhor do que um cego, ou do que velho. E mais ainda, sei que preciso de algo tanto quanto eles.

“Broken Glasses on Pebbles“ by mattdaubney (© 2009 Flickr)

Da Influência Musical - Jamie Cullum

Tenho um gosto bastante peculiar para música. Sob diversas influências, ouvindo vários tipos de coisas, aprendi a ter um gosto um tanto eclético. Enquanto meus amigos estavam na fase “metal-punk-groove”, eu estava curtindo blues, jazz e algumas outras variações. E dessa brincadeira, acabei absorvendo essas influências. Enfim, meu objetivo na verdade, é compartilhar um pouco desses sons.

Para começar, vamos de jazz. Ou quase isso, para os mais ortodoxos. O fato é que Jamie Cullum foi a ponte para que eu entrasse na atmosfera contagiante da trilha sonora de New Orleans. Esse pianista inglês (sim, quase uma heresia), de 30 e poucos anos é o responsável por um roupagem diferente e mais leve para os poucos acostumados a esse estilo musical. Vários clássicos, como “Singin’in the Rain”, "I Could Have Danced All Night" ou ainda "I Get a Kick out of You", músicas que estamos acostumados a ouvir na voz de Frank Sinatra, Gene Kelly ou Audrey Hepburn, ganham um novo e delicioso tom com esse cara.

“Jamie Cullum on stage in Vienna in January 2006”. (© 2006 Wikimedia Commons)


Mas ele não vive apenas de regravações, apesar de ter ouvido a voz dele pela primeira vez em “Everlasting Love”. Algumas canções de autoria própria, como “London Skies”, são o suficiente para fazer dele um dos meu cantores preferidos.

http://www.youtube.com/user/jamiecullumworld#p/u/5/A_xNblK3f3o


Ano passado, ele soltou um novo album, “The Pursuit”, onde podemos experimentar algumas músicas bastante conhecidas e outras de autoria própria, como por exemplo... hum, melhor deixar você, que chegou até aqui, curioso. Afinal, quero que você descubra esse som e curta, ou não.

E pode cornetar nos comentário...

Insônia

O que era para ser um momento descontraído, véspera de feriado, com tudo pronto para o merecido descanso, acabou se tornando algo pesado, difícil de lidar. Tenho uma teoria de que quando é para dar tudo errado, isso de fato acontece.

Tensão pré-prova, preocupações, ou seja, coisas cotidianas acabaram se somando com uma constante sensação de fracasso que já vinha se acumulando. E o resultado disso é um tormento bastante desagradável. Não que eu queria passar por essas situações, porém isso tem sido inevitável. As coisas tem me cansado mais facilmente. Tenho andado irritado, impaciente, incomodado.

De certo modo, sou um pouco culpado por essa situação. Algumas escolhas sou eu quem fiz, e agora é razoável que eu arque com as conseqüências. Porém não é isso que me dá medo. Meu medo é de ser engolido de vez pelo desânimo e ser derrotado de vez. Simples assim, porém perigoso. Só em pensar nisso, fico preocupado. Não era para acabar desse jeito...

Por outro lado, não posso reclamar muito. Por mais que a situação seja complicada, tenho encarado com bastante serenidade. Só espero poder resistir, conseguir colocar a cabeça no travesseiro e levantar amanhã com a certeza de que posso superar tudo isso, e continuar caminhando em frente. Mas isso só vai acontecer quando o dia acabar... e que ele acabe logo...

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"Rainy day in Henry, Illinois" by ProfDEH (© 2005 Wikimedia Commons)

Olá... De novo

Queria um texto bem curtinho, algo legal que eu pudesse compartilhar aqui. Mas os dias tem passado rápidos e as coisas boas não rendem um texto universal. São apenas pequenos momentos que só interessam a mim e a quem está ao meu lado. E não, não é egoísmo.

De resto, ficam as desgraças, cotidianas, estressantes, deprimentes. Não vale o meu esforço para transcrevê-las. Não vale a pena falar sobre isso, quando o que quero dizer é que não sumi, não abandonei nada e não estou morto. Estou por aí, e quem sabe num outro momento não apareço de novo por aqui. Para falar de coisas alegres, ou então “resenhando” alguma coisa.

Agora me permitam voltar para a rotina... Aquela mesma que consome todo o meu tempo.

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© Copyright Robert Lamb and licensed for reuse under this Creative Commons Licence.

Renovação! (eu acho)

Meu último texto foi dia 10 de junho... Se eu for pensar só no que publico aqui, estamos falando do dia 03 de maio. Depois disso fui tragado para o que chamam de provas finais, que ocuparam meus dias até a metade de julho. Segundo o que me disseram, isso é bom para o meu futuro, para eu ser alguém quando crescer. Mas isso não vem ao caso, já que são puramente desculpas esfarrapadas para o meu descaso e minha falta de vergonha. Enfim, é bom estar de volta.

Sim, exatamente, estar de volta. Creio que nas últimas duas semanas passei por um período de férias verdadeiras. Resolvi ouvir a voz da experiência e tentei me livrar de algumas coisas que eu julgava necessárias para o bom andamento da vida moderna. Voltei um pouco no tempo e fiz coisas que já havia deixado de lado há anos. Dei risadas, chorei. Fiquei decepcionado, revoltado. Fiquei também contente, realizado. No final das contas, no apagar das luzes, sei que aproveitei bem esse período e que vivi o que eu queria.

Preocupei-me em não planejar nada com muita antecedência. Fiz as coisas aos poucos, um passo de cada vez. Tentei fazer com que cada momento fosse realmente único. Não me arrependo disso. Descobri que mesmo tendo altos e baixos, aspectos positivos e negativos, encarar eles do mesmo modo e com a mesma intensidade é sim saudável, e geralmente é a melhor opção.

Volto amanhã para a rotina morna, mas pelo menos tenho a certeza que vejo as coisas de uma maneira diferente. E mais do que tudo, volto renovado e com novas esperanças de posso encarar as dificuldades de uma maneira muito melhor.

...

Caráter sm (gr kharaktér) 5 Feitio moral. 6 Índole. 7 Qualidade inerente a certos modos de ser ou estados.

Sinto-me vazio, triste, um tanto inconsolável. E antes que algo passe pela cabeça, devo esclarecer: não é nada de grave, espero. Mas como alguém pode se sentir bem sendo chamado de mau caráter, por uma das pessoas que mais deveia lhe apoiar. Alguém que deveria estar por perto, inspirar confiança e afastar o medo. Como não se sentir perdido?

Confesso que passei horas procurando algo em que essa acusação pudesse se sustentar. Foi em vão. Não sou perfeito, sei que tenho falhas, muitas delas graves, porém nada que chegue ao ponto de ir contra os meus princípios. Apesar de muitas vezes eu ser grosseiro ou estar irritado, procuro sempre estar próximo dos que precisam e que me rodeiam. Estou sempre disposto a ajudar, a participar.

Sei que muitas vezes falamos bobagens quando discutimos, ou quando estamos chateados. Mas fica difícil manter uma convivência onde uma discussão boba gere, digamos, acusações tão pesadas.

Talvez amanhã eu não pense isso, talvez eu esqueça e fique tudo bem. Porém hoje, é vazio e triste.

Why???

Apenas um olhar em direção do céu é necessário para perceber o tamanho da nossa insignificância como seres humanos. Basta olharmos o pôr-do-sol (como fiz dias atrás e foi o grande motivo desse texto), e pararmos para pensar no espetáculo que se repete dia após dia, há alguns bilhões de anos e que vai se repetir por pelos menos outros 4 ou 5 bilhões também.

Se por um lado isso é triste, já que mostra o quanto somos desnecessários e desprezíveis para o curso do universo, e nenhum dos nossos atos vai influênciar em galáxias a alguns milhares de anos-luz, por mais importantes que eles sejam para nós e para quem nos rodeia, por outro, é justamente essa insignificância que garante que nós, humanos, não vamos acabar destruindo tudo o que existe por ai. Claro que, a nível do nosso planeta, a destruição feita por nós é perfeitamente cabível. Mas isso é impossível de expandir para além dessa fronteira.

"Astronomers Find One of the Youngest and Brightest Galaxies in the Early Universe" (© 2005 nasaimages.org)

É interessante pensar nesse paradoxo: tão grandes a nível de destruir o próprio lugar onde vivem, e tão pequenos a ponto de não serem ouvidos fora dos próprios domínios. Somos um grande grupo que não percebe que nossas pequenas incoerências, absurdas e irracionais podem destruir nós mesmo, ao mesmo tempo que essa destruição não afeta mais ninguém e não trará efeito nenhum para o resto da existência.

Somos pequenos grãos de areias, prontos para se perderem no universo, sem perceber a importância que temos para quem nos ama, e procura estar por perto porque se preocupa quer a gente bem.

Parece tudo isso uma grande brincadeira. E no fundo, somos ridículos por não percebermos e nos situarmos de maneira adequada no lugar que habitamos.

Ir até o fim?

Estou abismado com a quantidade de textos inacabados que tenho. Todos eles guardados no meu Google Docs, esperando para que eu termine o que comecei no passado. Triste.

A verdade é que se abandono um texto no meio, dificilmente vou tentar terminá-lo, ou reescrevê-lo. As ideias que eu tinha naquele momento, por algum motivo ficaram de lado em detrimento de algo mais importante. Por isso deixei o texto inacabado. Óbvio. O problema é que recuperar a linha de raciocínio, junto com o sentimento associado ao momento em frente ao PC para escrever, tudo isso me exige um esforço sobrenatural. É muito fácil eu abandonar alguma coisa no meio do caminho. É um vício e uma falha brutal, que admito que tenho.

Isso por vezes acaba por me atrapalhar no cotidiano, pois tudo que eu puder ir "empurrando com a barriga", eu empurro. Preguiça e falta de vontade, muitas vezes atrapalham tudo. Demoro para me empolgar com alguma coisa.

"McHouse Under Construction" by Dean Terry (© 2005 Flickr)

Por que me parece tão fácil abandonar um projeto e ao mesmo tempo tão complicado terminar algo que comecei? Nessas horas sinto-me um pouco perdido. Ora, não era para ser ao contrário? Por que então desistir é tão simples? Por que não só eu como tantos outros não conseguem atingir seus objetivos, já que a nossa sociedade nos molda para tentarmos ser sempre vencedores aos olhos dos outros? Algo me parece errado nisso tudo.

Não sei, realmente não sei. Ao que me resta, apenas tentar concluir os meus textos, levar a diante meus projetos e tentar atingir meus objetivos. É árduo, cansativo e difícil, porém não custa nada tentar. E sonhar...

(Surpreendo-me conseguindo acabar esse texto. Sinceramente achei que ia abandonar mais um pelo caminho)